terça-feira, 23 de maio de 2017

Irrigação por gotejamento reduz gastos e pode dobrar produtividade

Crise hídrica, racionamentos, seca. Economizar água e manter a produtividade tem sido um grande desafio para o homem do campo. Mas, de acordo com especialistas, sistemas simples, como o de irrigação por gotejamento, podem reduzir o consumo, os custos e ainda aumentar a produtividade das lavouras. Tal tecnologia já vem sendo utilizada em propriedades rurais do entorno do DF e é tida como uma das técnicas de irrigação mais eficientes atualmente, pois permite alta uniformidade de aplicação de água e nutrientes às lavouras.
Para ajudar o produtor rural a minimizar as perdas, o engenheiro agrônomo e extensionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF), da unidade de Brazlândia, Rodrigo Teixeira Alves, explica sobre os benefícios da irrigação por gotejamento: “Esse sistema é localizado, ou seja, a gota d’água cai próxima às raízes das plantas, por isso sua eficiência é elevada, reduzindo o desperdício. É uma técnica muito usada nas culturas de morango, tomate, berinjela, pimentão, pepino, vagem, conhecidas como hortaliças-fruto”, diz.
Segundo ele, o gotejamento está associado à proteção do solo, pois diminui a evaporação da água e a proliferação de ervas daninhas, garantindo a redução do consumo de água em até 80%, em comparação com outros tipos de irrigação. Quando o sistema é implantado da forma correta, são calculados os padrões de vasão e pressão para que a eficiência seja alcançada.
O engenheiro agrônomo explica ainda que o uso desse sistema possibilita também a economia de energia, fertilizantes e mão de obra, por meio da fertirrigação, ou seja, a diluição do adubo na água. Assim, é possível adubar e irrigar ao mesmo tempo, menos vezes por semana. Segundo ele, esse método é capaz de diminuir os intervalos de irrigação semanal, de sete para duas vezes por semana.
“O gotejamento não necessita de vasão nem pressão muito grande, pois a irrigação é localizada, dependendo do tamanho dos setores de irrigação. Por esse motivo, as tubulações são menores. Adotando esse manejo é possível inclusive em épocas de chuva dispensar a irrigação e apenas fertirrigar. Com esse controle da irrigação não se tem água de mais nem adubo de menos e o agricultor consegue produzir o dobro”, completa Rodrigo.
Como funciona
O sistema de gotejamento compreende: gotejadores, tubulações, cabeçal de controle e conjunto motobomba. O cabeçal de controle prepara a água que será distribuída no sistema, no qual são instalados o sistema de filtragem, que visa reduzir o entupimento dos emissores; os manômetros e as válvulas de controle de pressão, que permitem maior controle da lâmina de irrigação.
Além disso, no cabeçal de controle podem ser inseridos os sistemas de injeção de fertilizantes e de automação. O conjunto motobomba exerce o importante papel de impulsionar água no sistema com pressão e vazão adequadas. Normalmente, são utilizadas bombas centrífugas, de eixo horizontal, com motores elétricos ou à combustão interna.
Fonte: Sead

Pesquisa cria primeiro inseticida à base de vírus contra lagarta-do-cartucho

Agricultores passam a contar com um inseticida biológico que tem como princípio ativo um vírus de grande eficácia para controle da lagarta-do-cartucho, principal praga do milho, que acomete também outras culturas, como soja, sorgo, algodão e hortaliças. O primeiro inseticida à base de Baculovirus spodoptera, o CartuchoVIT, será lançado no próximo dia 12 em Uberaba (MG), como resultado da parceria entre a Embrapa Milho e Sorgo (MG) e o Grupo Vitae Rural.
“Os baculovírus são agentes de controle biológico que não causam danos à saúde dos aplicadores, não matam inimigos naturais das pragas, não contaminam o meio ambiente, nem deixam resíduos nos produtos a serem vendidos nas gôndolas dos supermercados”, explica o pesquisador da Embrapa Fernando Valicente.  Testes de biossegurança comprovaram que esses vírus são inofensivos a microrganismos, plantas, vertebrados e outros invertebrados que não sejam insetos. O Baculovirus spodoptera apresenta especificidade em relação aos insetos-alvo. Infecta e causa a morte da lagarta-do-cartucho (Spodoptera fugiperda) e da lagarta Spodoptera cosmioides.
O pesquisador ressalta que a segurança do inseticida à base de baculovírus, aliada à facilidade de manuseio, faz do produto um dos melhores agentes de controle biológico. Uma vantagem do CartuchoVIT é o pequeno número de aplicações necessárias, em geral duas, o que gera menor custo com máquinas agrícolas e com mão de obra. Além disso, podem ser usados os mesmos equipamentos de aplicação de produtos químicos, fator que contribui ainda mais para a redução de despesas dos produtores. 
As avaliações de campo demonstram que o bioinseticida apresenta taxa de mortalidade de 75% a 95% das lagartas-do-cartucho com até cinco dias de idade (até quase 1 cm de comprimento). Valicente explica que não se trata de um inseticida de contato. “A lagarta tem que raspar um pouco a folha que recebeu a aplicação do produto. Ela é infectada pelo vírus, diminui sua alimentação drasticamente e morre em cinco dias.”
Para garantir a eficácia do bioinseticida, o produtor deve seguir as orientações de uso. “É importante cuidar do preparo e aplicação, respeitar a vazão, utilizar o bico correto, dar boa cobertura e entender o melhor posicionamento do produto, ou seja, a data em que se aplica”, comenta o pesquisador. 
Recomenda-se a primeira aplicação de dez a 12 dias após a germinação da planta, e a segunda de sete a 12 depois, de acordo com o monitoramento de raspagem das folhas e o histórico da região. Dessa forma, é possível evitar a sobreposição de gerações de lagartas.
O sócio-proprietário do Grupo Vitae Rural, Paulo Bittar, ressalta a importância de um produto limpo e eficaz para o controle da lagarta-do-cartucho. “A lagarta do cartucho está no Brasil todo. Existe necessidade de controle. Tanto os inseticidas químicos como a tecnologia das sementes transgênicas não oferecem um controle suficiente. Por isso, há interesse pelo Baculovirus spodoptera e o mercado será receptivo ao produto. Acredito que o baculovírus será a principal ferramenta de controle da lagarta-do-cartucho nas culturas em idades iniciais, após emergência das plantas”.
O CartuchoVIT tem prazo de validade de um ano em prateleira e é o primeiro produto comercial registrado à base de Baculovirus spodoptera.
Processo de produção
O processo de desenvolvimento do bioinseticida foi longo e envolveu muitas pesquisas, conforme explica Fernando Valicente. “Foram feitos, nos anos de 1980 e 1990, levantamentos de lagartas, ou seja, você vai ao campo, coleta lagartas, observa em laboratório e aí detecta lagartas doentes. As lagartas com sintomas típicos de vírus são trabalhadas. Você identifica o agente causador da doença e faz a caracterização dos vírus com experimentos ao longo do tempo. Analisa a eficiência de cada isolado de vírus e, após detectar os melhores isolados, é preciso testar fatores importantes: temperatura de incubação da lagarta depois de infectada, idade do inseto próprio para infecção e concentração de vírus a ser usada. Avaliam-se, então, os resultados para poder orientar a produção.”

Após todos os estudos, é possível obter parâmetros para a produção do bioinseticida. Lagartas sadias criadas em laboratório são usadas como hospedeiras para multiplicar os vírus e dar origem ao produto. “Você pega as lagartas mortas, processa, tritura, seca o material e coloca um agente inerte (pó básico)”, explica Valicente. 
Para utilizar o CartuchoVIT, o produtor dilui o pó em água e aplica no campo. A fim de garantir a eficácia, é preciso seguir as orientações técnicas.

Informações para aplicação
·         Deve ser usado na quantidade de 50 gramas por hectare, fazendo-se uma calda com, no máximo,150 litros por hectare.
·         A calda deve apresentar pH entre 5 e 7. Importante: pH alcalino destrói o baculovírus, sendo fundamental medir o pH da água antes e após a preparação da calda.
·         A aplicação deve ocorrer após as 16 horas. A luz do sol destrói o baculovírus. 
·         A primeira aplicação deve ser feita entre 10 e 12 dias após a emergência da planta. A segunda aplicação deve ocorrer uma semana após a primeira, dependendo do histórico da região. 
·         Em caso de chuva forte, reaplicar o produto.
·         A conservação e a guarda do produto podem ser feitas em temperatura ambiente, desde que em local fresco e arejado.
·         Deve-se usar espalhante adesivo com o bico do tipo leque.
·         Reaplicar em caso de reinfestação.
·         Não aplicar em milho com mais de 40-50 dias. Lagartas pequenas não vão ingerir o baculovírus porque não conseguem raspar folhas muito duras.

Fonte: Embrapa

Sistema de produção facilita o cultivo de ora-pro-nóbis para agricultores familiares

Pequenos produtores brasileiros já podem contar com um sistema de produção próprio para ora-pro-nóbis, que traz facilidade nos tratos culturais e permite uma colheita escalonada ao longo do tempo. A proposta do sistema é fazer o plantio adensado – para garantir maior produtividade por área – e programar colheitas sucessivas para manter controlada a arquitetura da planta e evitar emaranhados de galhos e espinhos. Os experimentos foram conduzidos nos campos da Embrapa Hortaliças, em Brasília (DF).
Com o crescente interesse dos consumidores pela hortaliça, e também por sua aparição em cardápios de restaurantes de alta gastronomia do eixo Rio-São Paulo, surgiu um nicho de mercado e, para viabilizar a oferta do produto, foi validado o sistema de plantio adensado – até cinco mil plantas por hectare – com colheitas sucessivas que permite a condução dessa espécie de forma mais simples e eficaz pelo produtor rural. O espaçamento praticado anteriormente resultava em cerca de 1.250 plantas por hectare. Outra vantagem do novo sistema é que ele dispensa a necessidade de tutoramento da planta para colheita das folhas, já que prevê a poda de hastes.
“A ora-pro-nóbis é muito rústica e com bom potencial produtivo, que se apresenta como uma opção de diversificação de renda e de cultivo especialmente para o agricultor familiar, já que a produção em larga escala é dificultada pelas próprias características da planta, que exige intensa mão de obra”, sugere o pesquisador Nuno Madeira.
Por ser uma planta da família dos cactos, a ora-pro-nóbis cresce como um arbusto, com espinhos agudos distribuídos ao longo dos caules e ramos, o que dificulta o manuseio pelos agricultores. “No geral, os produtores não consideram estabelecer lavouras de ora-pro-nóbis pela dificuldade de lidar com a planta espinhosa”, contextualiza o pesquisador, ao comentar que a planta, apesar de muito nutritiva, costuma ser utilizada somente como cerca-viva ou, em regiões específicas, como ingrediente de receitas tradicionais em cidades históricas de Minas Gerais, como Diamantina, Tiradentes e Sabará.
Também conhecida por lobrobó ou pereskia, a ora-pro-nóbis é considerada uma planta alimentícia não convencional (PANC) e apresenta um relevante teor de proteína – trata-se de um alimento de origem vegetal com cerca de três gramas de proteína a cada 100 gramas de folhas. “Embora esse valor seja equivalente em outras hortaliças como rúcula e agrião e também em folhas de coloração verde-escura, a qualidade da proteína da ora-pro-nóbis é melhor porque apresenta mais complexidade e aminoácidos essenciais, ou seja, tem maior valor biológico para o organismo porque contém aminoácidos essenciais em quantidade e proporções adequadas”, explica a pesquisadora Neide Botrel.
Colheitas sucessivas
A ora-pro-nóbis pode atingir até quatro metros de altura, por isso, as colheitas sucessivas, a cada seis ou dez semanas, dependendo das condições climáticas, funcionam como podas que, além de facilitar o manejo da planta espinhosa e garantir ergonomia para o produtor, estimulam o desenvolvimento vegetativo e a produção comercial de folhas.

Segundo cálculos feitos nos experimentos, a produção pode atingir até dois quilos de folhas por planta a cada corte, com quatro a oito cortes anuais – o que equivale de 20 a 40 toneladas por hectare ao ano. Madeira destaca que a planta pode se manter produtiva por até dez anos, mesmo com pressão por alta produtividade, desde que sejam feitas adubações periódicas com matéria orgânica.
Além da parte agronômica, a pesquisa também obteve resultados na área de pós-colheita, com testes que indicaram a condição ideal para prolongar a vida útil das folhas de ora-pro-nóbis. De acordo com Neide, quando embaladas em bandejas de isopor com filme de plástico e armazenadas à temperatura de 10ºC, as folhas mantêm a qualidade por até 15 dias.
Matéria-prima para a indústria alimentícia
Se reside em Minas Gerais toda a tradição da receita de frango ensopado com as folhas suculentas de ora-pro-nóbis, nos demais estados do Brasil essa hortaliça ainda é pouco explorada na agricultura e na culinária, seja na forma fresca ou processada. Contudo, uma parceria firmada entre a Embrapa Hortaliças e a empresa Proteios, da área de nutrição funcional, pretende mudar esse cenário.

A partir do sistema de produção validado pela pesquisa, agricultores familiares da região do Município de Palmeira, distante 80 km de Curitiba, capital do Paraná, iniciaram o cultivo da hortaliça para oferecer à empresa, que fabrica um produto denominado Complemento Nutricional Funcional (CNF), uma proteína vegetal em pó composta basicamente por folhas de ora-pro-nóbis. Esse produto é uma espécie de farinha utilizada para enriquecer bebidas e alimentos como pães, massas e barras de cereais. O destaque da composição nutricional é a elevada concentração de proteína, que gira em torno de 28% da matéria seca.
“O trabalho tem apresentado bons resultados porque a produção está integrada com a indústria e próxima da fábrica processadora”, comenta Madeira. Ele destaca que, atualmente, há cerca de 50 produtores iniciando a colheita em, pelo menos, oito municípios do Paraná e Santa Catarina. “O maior desafio é ganhar escala para suprir a demanda da indústria, mas há potencial para alcançarmos até 400 produtores, sendo um hectare por família com a ora-pro-nóbis entrando como alternativa de diversificação de renda, mas também como garantia de segurança alimentar”, analisa.
A grande maioria desses produtores cultiva fumo e, além do histórico de vender para a indústria em sistema de produção contratada, eles também possuem experiência com o processo de secagem das folhas em estufas para desidratação. No sistema de produção validado pela Embrapa, a projeção de rendimento é de até R$ 3 mil mensais por hectare cultivado, no caso da folha verde. Na proporção, oito quilos de folhas verdes rendem um quilo de folhas desidratadas. Nesse caso, investir em equipamentos de secagem é vantajoso porque a empresa paga até R$ 18 por quilo de folha seca, enquanto a folha verde rende somente 8% desse valor – cerca de R$ 1,50 por quilo.
No que se refere à segurança alimentar, tem-se recomendado fazer a poda apical ou “quebra da ponta” dez dias antes da colheita da haste para consumo dos próprios agricultores. “Essa prática, além de ofertar um alimento nutritivo para o produtor, permite um maior rendimento das folhas da haste pelo aporte de nutrientes direcionado para elas e não mais para o ápice, que foi podado”, explica Madeira ao ressaltar que antes o potencial da ora-pro-nóbis era subutilizado, já que na Região Sul não havia a tradição de consumir a planta.
O ora-pro-nóbis está sendo estudado no âmbito do projeto “Avaliação agronômica, caracterização nutricional e estudo da vida útil de hortaliças não convencionais”, da Embrapa Hortaliças, que busca tornar acessíveis as informações sobre essas espécies com o intuito de fomentar a produção, o consumo e a comercialização. Outras hortaliças estudadas são: almeirão-de-árvore, amaranto, anredera, azedinha, beldroega, bertalha, capuchinha, cará-do-ar, caruru, fisális, jambu, major-gomes, mangarito, maxixe-do-reino, muricato, peixinho, serralha, taioba e vinagreira.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) também está vinculado ao projeto de fomento do cultivo de ora-pro-nóbis no Paraná. O órgão adicionou a cultura na lista dos produtos financiados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), permitindo o custeio da lavoura.


“É um sonho meu que pode se tornar realidade”
O produtor rural Élcio Rochinski cultiva um hectare de ora-pro-nóbis em Palmeiras (PR) e, em parceria com a empresa de nutrição funcional, aposta na cultura como alternativa ao tabaco.
Como surgiu o interesse pelo plantio de ora-pro-nóbis?
Na região onde moro, existem poucas possibilidades de cultivos para pequenos agricultores e a grande maioria das famílias com uma pequena parcela de terra trabalha no cultivo do tabaco, pois em pequenas áreas de plantio é a cultura que mais dá resultados. Diante disso, sempre há a busca por novas opções de culturas por parte dos agricultores, já que a cadeia produtiva de tabaco é extenuante e pode trazer outras implicações para o agricultor. Por isso, sempre tive o anseio de poder produzir alguma coisa diferente e o sonho de que também outras pessoas pudessem depender menos dessa cadeia produtiva. Eu nunca tinha ouvido falar sobre ora-pro-nóbis. Fiquei sabendo da possibilidade quando a empresa buscava parceiros para começar a desenvolver lavouras aqui na região. Eu aderi logo aos experimentos para servir de modelo sobre o desenvolvimento da planta na região e para torná-la mais conhecida por aqui.
Quais os principais resultados observados com o sistema de plantio adensado e colheitas sucessivas?
Depois de um processo de adaptação e conhecimento sobre a planta e sobre seu cultivo, percebi que essa seria uma boa oportunidade para produtores aqui da nossa região. Em comparação com outros sistemas de produção, o plantio adensado possibilitou produção maior em um mesmo espaço de terreno sem prejudicar o desenvolvimento das plantas e também sem dificultar o manejo. Outra coisa que evoluiu muito no cultivo foi a possibilidade de fazer um manejo de podas sucessivas dando agilidade e rendimento na hora da colheita. Além disso, a cada poda, a planta é estimulada a produzir mais, assim o rendimento aumenta gradativamente conforme as plantas vão sendo podadas.
Em média, qual tem sido o rendimento obtido por área plantada?
Faz um ano e meio que, em minha propriedade, tenho cultivado um hectare de ora-pro-nóbis. Nesta área de plantio, é possível afirmar com clareza que, com o trabalho de podas adequado e com tratos culturais de limpeza e adubação regulares, a média de produção de cada planta a cada corte é algo em torno de 1 quilo de folha verde. Isso significa, após a secagem, algo em torno de 125 gramas de folhas desidratadas. Em média, temos o rendimento de R$ 2,25 reais por planta a cada corte. O rendimento semanal ou mensal depende muito do cronograma de colheita adotado por cada produtor, que varia conforme a disponibilidade de tempo destinado para a cultura.
Para a região, qual a importância de diversificar renda e cultivo?
No caso da diversificação, embora não pareça, a ideia principal não é aumentar exorbitantemente a lucratividade dos produtores, mas sim trazer segurança com opções de renda diferenciadas, caso alguma cultura venha a não produzir. Além disso, para que a diversificação seja eficiente é preciso que o produtor tenha consciência da sua capacidade de produção para cada cultura. Em resumo, quando há exagero nas proporções de atividades para desenvolver, acaba que nada fica sendo bem cuidado e, assim, não há o rendimento esperado. O primeiro passo para fazer uma boa diversificação na propriedade é estar consciente da sua capacidade de produção e saber dosar tudo que pretende fazer.
Quais são as perspectivas para o plantio de ora-pro-nóbis?
Há um grande caminho para percorrer, mas o primeiro passo foi dado, com o plantio sendo estudado cada dia mais. Costumo dizer que a planta se garante e mostra um potencial enorme. Há ainda um desafio pela frente, que é torná-la mais conhecida. Penso que, sob esse aspecto, a pesquisa e a indústria terão um papel fundamental na difusão do conhecimento e no estímulo ao consumo dessa planta. Para os produtores que pretendem obter renda em maior escala, o papel da indústria é indispensável. No geral, as perspectivas são as melhores possíveis – a ora-pro-nóbis é um sonho meu e de muitos outros produtores da agricultura familiar como opção de trabalho e renda que pode se tornar realidade.


Fonte: Embrapa

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Pacto entre Governo Federal e Estados leva Assistência Técnica e Extensão Rural para 10 mil famílias

Após 25 anos, o Governo Federal retoma os investimentos nas entidades publicas estaduais de Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural), as Emateres. A Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), através da Agencia Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), levará o serviço para 10 mil famílias dos Estados Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Distrito Federal. Nesta quarta-feira, 5, às 18 horas, em Brasília-DF, será assinado o Pacto Nacional pelo Fortalecimento da Ater com os representantes de cada Estado.

                                Imagem: MDA
 O Pacto Nacional Pelo Fortalecimento da Ater é um compromisso público entre o Governo Federal e governos estaduais com objetivo de ampliar a abrangência e a qualidade da assistência técnica ofertada aos agricultores familiares. A Sead, por meio de um Contrato de Gestão, ficará responsável por aportar recursos financeiros à Anater, que firmará instrumentos específicos com cada Estado.

“Na primeira etapa vamos beneficiar 10 mil famílias. A expectativa é ampliar a ação para todo território nacional. A Anater será responsável pelas estratégias e prioridades, assim como o acompanhamento das metas estabelecidas para execução do serviço. O serviço público brasileiro de Ater conta com mais de 16 mil extensionistas, verdadeiros agentes de transformação que aliam ação técnica e políticas públicas para levar desenvolvimento ao campo. A Ater uma prioridade do Governo Federal”, explica o secretário da Sead, José Ricardo Roseno.

Em contrapartida, as instituições estaduais devem comprometer-se com a execução dos valores e com a garantia da autonomia para realizar o serviço de Ater. A Anater estabelecerá um Grupo de Trabalho, formado por representantes dos pactuantes, para elaborar os indicadores de resultados fixados os Estados.

O presidente da Anater, Valmisoney Moreira Jardim, destaca que o Pacto é um marco histórico. “Nos últimos meses, a Anater se estruturou e se instrumentalizou, e está pronta para iniciar a operacionalização dos serviços de Ater junto aos produtores rurais. O lançamento do Pacto pela Nova Ater se configura como um marco histórico para o meio rural brasileiro, pois vai possibilitar que a Anater e as entidades públicas oficiais de Ater possam firmar parceria, levando para o campo essa estrutura, elevando a abrangência e a qualidade da assistência a ser ofertada aos agricultores e suas organizações econômicas”, ressalta.

A assinatura do Pacto Pelo Fortalecimento da Ater será realizada durante a 52ª Assembleia Geral Ordinária da Asbraer (Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural). Para Argileu Martins, presidente da Asbraer, de uma forma muito inovadora está sendo inaugurada uma nova relação entre o Governo Federal, por meio da Sead, e os governos estaduais no que diz respeito às políticas de Ater. 

“O Pacto é algo inédito que vai permitir ampliar a oferta do serviço de Ater e, consequentemente, ampliar o acesso às políticas públicas pelos agricultores familiares. Para nós, da Asbraer, representa a efetivação da Anater, que agora passa de fato a funcionar”. Argileu destaca ainda o caráter de vanguarda da parceria entre Sead e os estados, que agora vai se organizar por resultados alcançados. “Sai de uma relação de envio recursos para uma relação de apresentação de resultados. Isso é muito inovador”, disse.

Retomada de investimentos no serviço de Ater

Desde 2016, o Governo Federal, através da Sead (Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário), retomou o investimento no serviço público de Assistência Técnica e Extensão Rural dos 27 Estados da Federação. Em dezembro do último ano, a Sead destinou R$ 52 milhões para as entidades públicas estaduais de Ater. Os recursos foram disponibilizados para investimento em infraestrutura, como aquisição de veículos e computadores.

Está prevista a assinatura do Pacto Nacional pelo Fortalecimento da Ater com outros 11 Estados do Semiárido brasileiro. O Objetivo é levar um serviço de qualidade aos agricultores familiares atingidos pela seca. 


Desde a extinção da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), em 1990, não havia uma ação efetiva do Governo Federal para fortalecer o serviço nos estados. Dados do Censo Agropecuário do IBGE apontam que os produtores que recebem regularmente assistência técnica e extensão rural têm produtividade quase quatro vezes mais daqueles que não recebem.
Fonte: Faemg

Regeneração das matas nativas é chave para combate à mudança do clima

Os pesquisadores Felipe Nunes, da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Britaldo Soares Filho e Raoni Rajão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Frank Merry, Conservation Strategy Fund, elaboraram um modelo computacional que estima os custos privados e públicos (governamentais) para promoção da recuperação da vegetação nativa sob diferentes métodos de restauração florestal no estado de Minas Gerais. O artigo científico “Enabling large-scale forest restoration in Minas Gerais state, Brazil” foi publicado no dia 12 de abril na na revista  Environmental Research Letters.  

O Brasil tem o compromisso em restaurar milhões de hectares de florestas como parte de sua estratégia de desenvolvimento sustentável, cumprimento da legislação florestal e meta de redução de emissões visando ao combate às mudanças climáticas. Para tanto é fundamental antecipar os custos econômicos e benefícios ambientais desse esforço de restauração em larga escala geográfica. Para se ter uma ideia, estima-se que seria necessária a recuperação de 24 milhões de hectares para o cumprimento do código florestal em todo o território nacional, dos quais, dois milhões de hectares estão em Minas Gerais. Os desafios para atingir esses objetivos são enormes. Algumas estimativas locais apontam que os custos de restauro podem variar de 700 a 4.500 dólares por hectare, o que será inviável para a grande parte dos proprietários rurais.

O estudo conclui que a utilização de técnicas de baixo custo, como a restauração passiva (a qual toma partido de processos naturais demandando somente o isolamento das áreas), mais a natural assistida (inclui um mínimo de intervenção visando o controle de espécies invasoras e facilitação dos regenerantes naturais), poderiam recuperar 1,5 milhão de hectares e regularizar até 75% do passivo ambiental (áreas desmatadas ilegalmente), conforme preconizado pelo novo Código Florestal. Os autores do artigo estimam que as medidas custariam cerca de 775 milhões de dólares (US$), resultando em um sequestro de 284 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e) em um período de 20 anos. Para a recuperação do restante (25%), cerca de 500 mil hectares de pastagens com elevado grau de degradação, seria necessário o plantio intensivo de espécies nativas a um custo de US$ 1,7 bilhão, ou seja, mais que duplicando os custos.

Segundo Felipe Nunes, para viabilizar o restauro da vegetação nativa serão necessários diferentes níveis de intervenção através do território. “O mapeamento das áreas com alto potencial de regeneração natural torna-se, portanto, fundamental, visto que os principais métodos utilizados até então, baseados quase que exclusivamente em plantios de espécies nativas, provavelmente não serão suficientes para o cumprimento das metas”, afirmou.

Os pesquisadores destacam, ainda, a importância de programas de pagamento por serviços ambientais (PSA) para incentivar a restauração. De acordo com o pesquisador Britaldo Soares, os pagamentos a partir de US$ 1,1 por tonelada de dióxido de carbono sequestrado pela regeneração, seriam suficientes para cobrir os custos da restauração passiva em 20 anos. “No entanto, esses valores podem chegar entre US$ 8 e 10 por tonelada, quando necessários métodos mais intensivos que incluem o plantio de mudas em áreas degradadas”, disse.

O pesquisador Raoni Rajão complementa lembrando que uma das barreiras para a regularização ambiental é o custo de restauração, mesmo aquela de mais baixo custo que envolve somente o cercamento das áreas. “Um programa de PSA remunerado com a venda do carbono da regeneração poderia cobrir esses custos e viabilizar a entrada de mais produtores na legalidade”, argumentou. 

Ao mesmo tempo, o estudo também aponta para a importância da implementação do Código Florestal para que de fato ocorra a recuperação do passivo ambiental. “Caso o governo e as cadeias de produtos agrícolas não passem a cobrar integralmente o cumprimento do código, dificilmente os produtores irão internalizar o custo de oportunidade das áreas de passivo, que nesses dois milhões de hectares chega a US$ 3.1 bilhões”, completa Raoni Rajão.
O artigo conclui que a regulamentação de diferentes técnicas de restauração, associada a incentivos econômicos e procedimentos de mapeamento e monitoramento das propriedades rurais no âmbito dos Programas de Regularização Ambiental (PRA) estaduais será crucial para o sucesso da política nacional de restauro florestal.


Áreas favoráveis para regularização do passivo florestal a partir do emprego da restauração passiva (verde) e restauração passiva combinada com regeneração natural assistida (azul). As áreas em vermelho indicam áreas que necessitam de métodos baseados em plantios intensivos.

Mapeamento do potencial de regeneração natural da vegetação nativa indicando as áreas mais favoráveis para a regeneração natural (em vermelho).

Fonte: Feam