terça-feira, 18 de novembro de 2014

Emater-MG mostra como reduzir danos da estiagem no semiárido


O município de Guaraciama, localizado a 53 quilômetros de Montes Claros, no Norte de Minas, é um exemplo de que, com planejamento e técnicas adequadas, é possível amenizar os efeitos das longas estiagens, típicas da região do semiárido. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), juntamente com outras instituições, realiza obras de construção de barraginhas e terraços em nível, entre outras ações que têm como objetivo ajudar os produtores rurais a resistirem com menos prejuízos no período seco.

A meta em Guaraciama é construir mais 3 mil barraginhas até 2016, além de terraços em nível e cercamento das nascentes do município. O objetivo é ser referência nas ações que envolvam a disponibilidade de água na região. “A participação da comunidade, dos produtores e da Prefeitura foi primordial para que o trabalho fosse realizado, assim como entidades como a Ruralminas”, afirma o extensionista José Valter Alves, um dos responsáveis pelo projeto no município.

“Atualmente, trabalhamos na implantação e construção de 500 barraginhas, no cercamento de seis nascentes e 20 quilômetros de matas ciliares, além da construção de 30 quilômetros de terraços em nível”, explica o técnico da Emater-MG. Ele conta que as ações fazem parte de um planejamento detalhado: “Em 2004, a Emater-MG elaborou para a Agência Nacional de Águas (ANA) vários projetos de recuperação hidroambiental. Em cada município, os extensionistas, em parceria com autoridades e produtores locais, selecionaram uma sub-bacia para ser recuperada.”

Os recursos para as ações vêm do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), com participação da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ruralminas e Emater-MG.

As chuvas irregulares e o longo período de estiagem que assolam o semiárido mineiro são motivo de preocupação constante na região. “Precisamos que a água da chuva infiltre, chegue ao subsolo e abasteça o lençol freático, para que os poços tubulares continuem a funcionar. Esses cuidados favorecem também a recuperação de nascentes que abastecem o leito dos rios”, detalha o extensionista José Alves.

Aproximadamente 200 famílias de cinco comunidades de Guaraciama são beneficiadas, atualmente, pelas ações da Emater-MG. “Os extensionistas dão assistência técnica na marcação de barraginhas  e dos terraços  em  nível. O cercamento da mata ciliar, também com o apoio dos produtores, é realizado por uma empresa contratada para esse fim”, afirma José Valter.

Capacitação de extensionistas

E, na região do Jequitinhonha, a Emater-MG realiza capacitação para extensionistas rurais que atuam em municípios atingidos por estiagem prolongada. O treinamento, de 3 a 7 de novembro, acontece em Minas Novas  e é conduzido pelos coordenadores técnicos Luiz Aroldo Almeida (de Montes Claros), Geraldo Magela Magalhães (de São Francisco) e Henrique Queiróz Borges, de Capelinha.
O objetivo do curso é capacitar técnicos extensionistas para a realização de ações em programas regionais de convivência com os efeitos da seca. Mais informações com Henrique Borges, no escritório da Emater-MG em Capelinha, pelo telefone (33) 3516-2028.


Fonte: Emater / MG

Com início da Piracema fiscalização se intensifica nas bacias mineiras

Teve início, no sábado, dia 1º de novembro, conforme previsto nas portarias do Instituto Estadual de Florestas (IEF) 154, 155 e 156/2011, o período da Piracema, época em que os peixes sobem os rios até suas nascentes para se reproduzir e desovar. Por ser considerada fase de defeso, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), por meio da Diretoria de Pesca, iniciou operações de fiscalização nas bacias hidrográficas mineiras a fim de coibir ação de infratores.

Nesta época do ano, com a ocorrência de chuvas, aumenta o nível dos rios que tendem a transbordar e abastecer lagoas marginais e alagadiços. Isso permite que os peixes cheguem até esses locais, conhecidos como berçários, ou que subam às cabeceiras, onde encontram condições ambientais adequadas para desovar: águas mais quentes, oxigenadas e turvas, o que ajuda na proteção contra predadores.

No entanto, cansados da longa jornada, os peixes adultos se tornam presa fácil de predadores. Além disso, muitos pescadores se aproveitam dessa fragilidade para capturá-los com grande facilidade, provocando a redução drástica dos estoques pesqueiros futuros. Mesmo antes da Piracema, muitas fêmeas que sobem o rio já estão ovadas e é responsabilidade de cada pescador soltá-las, como também praticar a pesca consciente.

Neste ano, de acordo com o diretor de Pesca da Semad, Marcelo Coutinho, em função do longo período de estiagem e a consequente baixa vazão dos rios, os peixes acabam concentrados em uma área menor, o que os torna mais susceptíveis à pesca predatória. “Em função disso, estamos intensificando as operações de fiscalização a fim de coibir a ação de infratores. Além da equipe da Semad, trabalhamos numa parceria com a Polícia Militar de Meio Ambiente”, afirma Coutinho.

Período de Defeso

Os governos Federal e Estadual instituem durante a Piracema o período de defeso para rios e águas continentais. Esse período vai de 1º de novembro até 28 de fevereiro do ano seguinte. Em Minas Gerais é permitida apenas a pesca com limite de quantidade para espécies exóticas (de outros países), alóctones (de outras bacias brasileiras), híbridos (produzidos em laboratório), além de poucas espécies autóctones (nativas da bacia).


Fonte: SEMAD

Novo estudo liga desmatamento da Amazônia a seca no país


O pesquisador Antônio Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST), braço do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) analisou mais de 200 artigos científicos sobre a Amazônia e sua relação com o clima e as chuvas no Brasil, e concluiu que o desmatamento dessa região influencia a falta de água sentida nas regiões mais populosas do país, incluindo o Sudeste.


A diminuição da quantidade de árvores no bioma impede o fluxo de umidade entre o Norte e o Sul do país, aponta o estudo divulgado nesta quinta-feira (30/10).

O relatório “O Futuro Climático da Amazônia”, encomendado pela Articulação Regional Amazônia, rede composta por várias associações sul-americanas, tenta explicar as possíveis causas e efeitos da bagunça climática recente e apresenta soluções que minimizariam os impactos negativos dessas alterações.

De acordo com o pesquisador, a falta de precipitação, sentida principalmente no Sudeste, em especial no estado de São Paulo, seria consequência indireta do desflorestamento amazônico. Desde o início da década de 1970 até 2013, a exploração madeireira e o desmatamento gradual retiraram do bioma 762.979 km² de floresta, área equivalente a duas Alemanhas. Os dados referem-se ao desmate total (chamado de corte raso).
A retirada da cobertura vegetal interrompe o fluxo de umidade do solo para a atmosfera. Desta forma, os “rios voadores”, nome dado a grandes nuvens de umidade, responsáveis pelas chuvas, que são transportadas pelos ventos desde a Amazônia até o Centro-Oeste, Sul e Sudeste brasileiros, não “seguem viagem”, causando a escassez hídrica.

“A estação seca está se estendendo por maior tempo nas regiões mais desmatadas e as nuvens de chuva dos rios aéreos não estão chegando, a partir da floresta ainda existente, em áreas que anteriormente chegavam. Esse efeito tem conexão direta com o desmatamento”, disse Nobre aoG1. "As regiões mais desmatadas são a saída dos rios aéreos da Amazônia para o resto da América do Sul Meridional", complementou.

Segundo a investigação, por dia, a Amazônia libera na atmosfera 20 trilhões de litros de água transpirada. Nobre compara a força das árvores aos gêiseres, nascentes termais que lançam periodicamente jatos de água quente para o alto. Essa transpiração, segundo o estudo, torna ainda mais valiosa a floresta (além da sua vasta biodiversidade).

Tendência de mais desmatamento
Uma das soluções apresentadas pela pesquisa para evitar a descontinuidade no fluxo de umidade, e, desta forma, reduzir o agravamento da seca no Brasil, é zerar o desmatamento na Amazônia. No entanto, isso parece longe de acontecer.
Levantamento apresentado este mês pela organização Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou aumento de 191% no desmate da floresta em agosto e setembro de 2014, em relação ao mesmo bimestre de 2013.

Apesar de o dado ser paralelo ao divulgado pelo governo, que usa os sistemas Deter e Prodes, as informações mais atualizadas do próprio Deter, referentes a junho e julho, apontaram aumento de 195% na perda de vegetação na comparação desses períodos entre 2014 e 2013.
Outro ponto alarmante é que o Brasil não assinou na Cúpula do Clima, realizada pelas Nações Unidas em setembro, um acordo criado para reduzir pela metade a perda de florestas até 2020 e zerá-la até 2030.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse na ocasião que o país não foi “convidado a se engajar no processo de preparação” da declaração. Em vez disso, segundo ela, o país recebeu uma cópia do texto da ONU, que pediu para aprová-lo sem a permissão de sugerir qualquer alteração. O Itamaraty acrescentou que o documento não é da ONU, mas dos países que o assinaram, e que o texto necessitava de melhorias, por isso o Brasil optou por não assinar.

Nobre acredita que o governo brasileiro, ao não assinar a declaração das florestas, desconhecia os termos presentes no atual relatório e tem “a esperança de que tais argumentos serão absorvidos pelos negociadores".

No trabalho, ele cita outras soluções para reverter a situação de crise na Amazônia e suas consequências drásticas: popularizar os fatos científicos que explicam a importância do bioma para o clima; reduzir as queimadas que atingem a região; recuperar as áreas desmatadas com replantio de novas florestas; e contar com "esforços de guerra" do governo e da sociedade para financiar ações de preservação e conter o avanço da degradação.

“O diagnóstico é muito sério, as ameaças são reais e as soluções ainda estão ao alcance para reverter este quadro”, finaliza o pesquisador.


Fonte: G1.Globo

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Arqueologia, Cultura e História do Norte de Minas são destaques no Museu Regional

Objetos utilizados pelos tropeiros ajudam a explicar a ocupação do Norte de Minas (fotos: Solon Queiroz)
 
Aspectos arqueológicos, culturais, históricos, literários e naturais, além da culinária e do artesanato regional estão expostos no Museu Regional do Norte de Minas, inaugurado na noite dessa terça-feira (30/9), no antigo Casarão da Fafil. O espaço também é dotado de equipamentos multimídia, com exibição de vídeos sobre a história dos municípios norte-mineiros.

A diretora do museu, Raiana Maciel Librelon, explica que está em funcionamento o serviço de visitas guiadas feito por treze acadêmicos do curso de História da Unimontes que atuam como monitores. O agendamento das visitas para escolas públicas e particulares deve ser feito com antecedência.

O acervo do museu foi dividido em quatro espaços temáticos: “Sala do Meio Ambiente”, com painéis de fotos e vitrines expositoras com sementes de espécies vegetais do cerrado norte-mineiro como ipê, aroeira, garopa, fava danta, cagaita, mutamba e coco macaúba; “Sala da Ocupação da região do Norte de Minas”, também com painéis, que exibem imagens de sítios arqueológicos e mostra de artefatos do período pré-histórico como machadinhas e instrumentos de corte.
Há, também, a “Sala do Desenvolvimento de Montes Claros” é dotada de painéis com fotos e a exposição de utilitários, como selas, panelas, arreios e outros artefatos usados pelos antigos tropeiros. Na sala “Saberes e Fazeres e Celebrações” estão os painéis com fotos, material de artesanato, estandartes e vestimentas dos dançantes das Festas de Agosto de Montes Claros, com catopés, marujos e caboclinhos.

No espaço multimídia, segundo explica a curadora do museu, professora Marta Verônica Vasconcelos Leite, os usuários podem obter informações e assistir vídeos sobre a cultura e a historia dos municípios norte-mineiros. No andar superior, há duas exposições artísticas: a “Eco Art”, de artistas da América Latina, e a Mostra de Artista
s Norte-mineiros, com telas de nomes como Yara Tupinambá, Konstantin Christoff, Godofredo Guedes e Felicidade Patrocínio, dentre outros.


Fonte: Unimontes

Os usos múltiplos do maracujá

Da flor à casca, veja o que pode ser feito com a fruta

As variedades azeda (ou amarela) e doce são as mais utilizadas no país (Foto: Anderson Schneider / Ed. Globo)

Nativo da América Tropical, o fruto do maracujazeiro possui vitaminas A, C e do complexo B, além de sais minerais como potássio, ferro e cálcio. Além de maior produtor, o Brasil é o que mais consome maracujá no mundo. No entanto, apesar de existirem mais de 150 espécies e cerca de 70 viáveis para comercialização, o país utiliza apenas duas em maior escala (a variedade azeda, Passiflora edulis e a doce, Passiflora alata), afirma Ana Maria Costa, pesquisadora da Embrapa Cerrados e líder da Rede Passitec (Desenvolvimento Tecnológico para Uso Funcional e Medicinal das Passifloras Silvestres).
 
Atualmente, a Embrapa trabalha no desenvolvimento de cultivares novas, com propriedades diferentes, maior produtividade e usos múltiplos. O maracujá pérola, por exemplo, é rico em ferro e tem mais taliamina do que a maçã, além de ser fácil de produzir. Lançado em maio de 2013, já está sendo inserido no mercado por produtores do Distrito Federal e utilizado na merenda escolar, conta Ana Maria.
 
Segundo a pesquisadora, aproximadamente 900 mil toneladas da fruta são produzidas por ano. “A maioria vai para a produção de suco e isso gera um passivo ambiental [resíduos, como cascas e sementes] de cerca de 600 mil toneladas”. Hoje, a rede de pesquisas tem estudos para utilizar as partes do maracujazeiro de forma completa. “Tirando o suco, o resto é pouco aproveitado pela indústria”. Para ela, esses resíduos “têm potencial de industrialização e vão enriquecer o cardápio do brasileiro”.
 
Veja o que pode ser feito com cada parte:
 
1) Polpa
 
A polpa do maracujá azedo, o mais popular no país, é utilizada majoritariamente na indústria de sucos e em preparações caseiras. Já o doce é o famoso “maracujá de colher”, onde a polpa é consumida in natura.
 
2) Casca
 
De acordo com Ana Maria Costa, atualmente grande parte das cascas ou vão para o lixo ou para ração animal e adubo, mas a farinha feita da casca começa a ser difundida. “Ela contribui para diminuir a absorção de açúcar e gordura, ajuda no equilíbrio do intestino e dá a sensação de saciedade”, conta a pesquisadora. Com grande quantidade de fibras, pesquisas da Rede Passitec já testaram o uso da farinha em queijos e iogurtes.

A pesquisadora lembra que para obter uma boa farinha, é preciso cuidado no processamento. “São necessárias boas práticas de higiene para fabricar um produto de boa qualidade”. Segundo ela, nem sempre as grandes indústrias têm essa preocupação com a casca, por isso, os fabricantes da farinha normalmente compram a matéria-prima de processadoras menores. “A farinha boa é clarinha, bem fina e tem baixo teor de amargor”, ressalta.

A Rede Passitec também já desenvolveu um espessante a partir da casca, que foi testado em escala laboratorial na fabricação de queijo, requeijão e sorvete. A pesquisadora conta que alguns produtos já estão começando a atingir o mercado. Ela cita como exemplo a Associação de Produtores de Unaí que farão, até o fim de novembro, o primeiro teste de colocação no mercado do queijo com fibras da casca do maracujá. “Outras cooperativas também já estão se interessando por colocar o produto no mercado”.
 
A pesquisadora diz que também já existe licor e cachaça feitos a partir da casca fermentada. “Nesse caso, é possível usar o resíduo de grandes indústrias, uma vez que o processo de fermentação purifica o material”.


Sementes podem ser aproveitadas em diversos produtos
(Foto: Soraya Pereira/Embrapa)
3) Semente

Além de enfeitar mousses e outros pratos, ela pode ser transformada em óleo a ser usado na indústria alimentícia e de cosméticos. A Extrair Óleos Naturais produz três produtos com a semente da fruta: a versão desidratada, o óleo e o farelo desengordurado, que é a torta resultante da extração do óleo.
 
Sandro Reis, sócio-gerente fundador da empresa, explica que a matéria-prima vem de indústrias de polpa da fruta de diversos Estados brasileiros. “O material vem sujo e é limpo na fábrica. Utilizamos um processo de limpeza desenvolvido pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que faz isso de forma mais rápida”. Reis diz que a rapidez do processo possibilita a fabricação de um produto de melhor qualidade, pois evita a deterioração da semente, que estraga dois dias depois de ser retirada.
 
Ana Maria ressalta que o óleo tem boa quantidade de ômega 6 e é utilizado tanto na indústria alimentícia quanto na cosmética. “Ele pode ser usado como emoliente, pois diminui o inchaço debaixo dos olhos”. Sandro afirma que “o farelo é interessante tanto na fabricação de esfoliantes quanto para substituir em até 25% a farinha em pães, principalmente na linha integral”.

Flor tem uso cosmético e ornamental (Foto: Breno
Lobato/Embrapa)
4) Flor


De beleza marcante, a flor do maracujá é empregada na indústria de cosméticos por seu aroma. Algumas espécies também são plantadas com o propósito do uso ornamental.

5) Folha


É da folha do maracujá doce (passilfora alata) que a passiflorina utilizada em remédios é extraída pela indústria farmacêutica. É também da folha dessa espécie que a Natura extrai dois flavonóides empregados na fabricação de cremes rejuvenescedores. “São muito interessantes do ponto de vista cosmético, pois tem propriedade de regeneração celular”, afirma a pesquisadora.




Fonte: Globo Rural