sexta-feira, 18 de setembro de 2015

MG terá R$ 4,4 bilhões para financiar a agricultura familiar

A destinação de R$ 4,4 bilhões em crédito rural para a agricultura familiar em Minas Gerais foi anunciada, no dia 19/8/15, durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2015/2016, ocorrido no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A solenidade foi acompanhada por centenas de representantes de movimentos sociais, que lotaram o Plenário e a área externa da ALMG, além de diversas autoridades estaduais e federais.

Comandando a Reunião Especial de Plenário, o presidente da ALMG, deputado Adalclever Lopes (PMDB), recepcionou as autoridades presentes, entre elas o governador Fernando Pimentel, o ministro de Estado de Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, e o secretário da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Onaur Ruano.

Na solenidade, o secretário informou que o montante de R$ 4,4 bilhões é 57% maior do que o contratado na safra passada (R$ 2,8 bilhões). Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, esses recursos são destinados ao custeio e investimento de pequenas propriedades rurais mineiras. “Isso significa a possibilidade de grande ampliação no número de contratos, resultando em mais de 206 mil em Minas”, informou Onaur Ruano.

“O carro-chefe de todos os Planos Safra é o anúncio do volume de recursos para financiamento da agricultura familiar, e o crédito para 2015/2016 em todo o País é de R$ 28,9 bilhões”, afirmou Ruano, lembrando que estão sendo comemorados os 20 anos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Ele disse que esse montante é 20% maior em relação aos recursos destinados à safra anterior e que houve a manutenção das taxas de juros para elas ficassem abaixo da inflação - entre 0,5% e 5,5% ao ano.

Ruano informou que, em Minas Gerais, existem 401 mil famílias que têm a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), instrumento que permite o acesso ao crédito rural do Governo Federal. Ele também disse que o atual Plano Safra alterou o seguro de agricultura familiar, ampliando a proteção à expectativa de renda do agricultor. Também informou que 16 mil famílias em Minas Gerais são atendidas pela política de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), com execução de R$ 62,9 milhões.

No inicío da solenidade, o autor do requerimento para a Reunião Especial, deputado Rogério Correia (PT), destacou a importância do lançamento do Plano Safra, que ele espera que possa trazer mais avanços na agricultura. Ele destacou a presença dos movimentos sociais no Plenário da ALMG, ao lado do governador Fernando Pimentel e do ministro Patrus Ananias.

Ministro e governador destacam importância da agricultura familiar

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, ressaltou que o Governo Federal está lançando o Plano Safra em todos os Estados. Ele reforçou o compromisso de que os espaços da agricultura familiar possam não apenas produzir alimentos, mas que sejam também espaços de vida. E disse esperar que nesse segmento estejam presentes políticas públicas de educação, cultura, saúde, moradia, saneamento, entre outras.

Segundo Patrus Ananias, o Ministério o Desenvolvimento Agrário trabalha pelo fortalecimento da agricultura familiar, e o desafio é fazer a reforma agrária. Nesse sentido, informou que já encaminhou à presidente Dilma Roussef a sua proposta de reforma agrária. “Já assentamos 10 mil famílias nesses primeiros meses, mas nosso objetivo é que no final do governo Dilma não exista mais nenhuma família vivendo debaixo da lona no Brasil”, afirmou.

O governador Fernando Pimentel lembrou que os agricultores familiares são responsáveis por 70% dos alimentos consumidos no País e que seu objetivo é trabalhar próximo a esse e outros setores desassistidos. “Queremos transformar o Estado em território de desenvolvimento sustentável e harmônico, com espaço para todos”, disse.

Diminuição da pobreza - O presidente da ALMG, deputado Adalclever Lopes, também saudou a presença dos movimentos sociais na ALMG e agradeceu ao governador a deferência em lançar o Plano Safra na ALMG. Ele disse que o atual governo ouve para a governar e destacou a independência e a harmonia entre os Poderes. E finalizou reforçando as palavras do ministro Patrus Ananias de que o Plano Safra representa também a agroecologia, o desenvolvimento do plantio, os mananciais resguardados e a diminuição da pobreza.

Movimentos sociais cobram mais políticas públicas 


“Comemoramos os R$ 28,9 bilhões do Plano Safra, mas em relação ao agronegócio, estamos muito atrás”, lembrou o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva. Ele defendeu a adoção de políticas públicas no meio rural para manter as estruturas familiares, com a mulher e o jovem no campo, e registrou o trabalho da agricultura familiar para a soberania da alimentação no Brasil.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Ercílio Broch, também reforçou a importância da agricultura familiar para a segurança alimentar e o desenvolvimento do setor. Já o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Sílvio Cardoso Netto, defendeu as políticas públicas no setor, mas ressaltou que não é possível avançar sem acesso à terra, para que as pessoas possam produzir e viver com dignidade.

O vice-presidente da Fetaemg, Eduardo José de Almeida, saudou a presença do governo e de representantes sociais na mesma mesa e disse que sempre reivindicará políticas diferenciadas, principalmente as de acesso à terra.

Reforma agrária - Durante a solenidade, foi assinado o contrato de doação pela União, ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de imóvel situado na Fazenda Jacaré, em Bocaiuva (Norte de Minas). Também foi entregue a cooperativas e associações o Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf).


Fonte: ALMG

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Minas se firma como polo gerador de energia solar


Embora a fonte solar represente apenas 0,01% da matriz energética de Minas Gerais, responsável por 1,4 megawatt, o Estado se prepara para se tornar polo fotovoltaico nacional. Nos próximos anos, a espanhola Solatio Energy vai investir R$ 1,1 bilhão em Minas na construção de oito parques solares, localizados em Vazante, na região Noroeste de Minas, e em Pirapora, no Norte do Estado. Juntos, eles vão somar 240 MW de potência instalada. 

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico e Social de Minas Gerais, Altamir Rôso, os cinco parques que serão implantados em Pirapora serão explorados durante 20 anos e, nesse período, irão faturar R$ 2,2 bilhões. "Teremos outro leilão solar em 14 de novembro e certamente Minas Gerais vai atrair outros empreendimentos. O Estado possui intensa incidência solar", afirma o secretário.

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) também contribui para colocar o Estado no mapa fotovoltaico nacional, mas quer ampliar a participação nesse tipo de fonte energética. Em Belo Horizonte, a empresa possui uma usina de 1,42MW no estádio Mineirão. A energia gerada é suficiente para abastecer 900 residências e é injetada na rede da Cemig.

Parceria

Já por meio da subsidiária Renova, braço de energias renováveis da estatal mineira, ela acaba de firmar uma parceria com a SunEdison, norte-americana que detém tecnologia de ponta em energia solar.

Juntas, elas venceram certame federal específico para energia fotovoltaica realizado na semana passada. O objetivo é operar dois parques que somarão 59,67 MW na Bahia, com entrega prevista para 1º de agosto de 2017.

"Esse acordo vai permitir que a empresa do grupo Cemig se mantenha na liderança do setor de renováveis, no qual já opera o maior parque eólico da América Latina, passando também a atuar na energia fotovoltaica a preços competitivos internacionalmente", disse, a estatal, por nota.

Fábricas de placas

Na última entrevista concedida na sede da Cemig, no início de agosto, o superintendente de Comunicação Institucional da companhia, Luiz Fernando Rolla, afirmou que a concessionária vai participar de todos os leilões realizados até o fim do ano. Trazer para Minas Gerais uma fazenda solar é uma das intenções da empresa.

Ele afirmou, ainda, que há a expectativa de que uma fábrica de placas seja instalada em Minas. Para isso, no entanto, há a necessidade de um parceiro. "Em cinco anos a energia solar será a mais competitiva", observou.
Na avaliação do secretário de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado, a instalação das fazendas solares no Estado faz com que a cadeia produtiva do setor venha a reboque. Altamir Rôso ressalta que algumas fábricas de placas solares já entraram em contato com ele, manifestando interesse em se instalar em Minas.
O secretário não confirma, mas fontes do mercado afirmam que a Canadian, responsável por fornecer painéis para a Solatio, é uma das companhias interessadas em fincar os pés por aqui.

Reflexo positivo

Na avaliação do consultor de energia e membro do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), Roberto D'Araújo, a instalação de empresas de placas fotovoltaicas pode, no futuro, reduzir o valor do produto em solo nacional e acabar com o principal entrave da geração distribuída: o alto custo.

Vale lembrar que na geração distribuída o consumidor produz a própria energia e injeta o excedente na rede. No fim do mês há um encontro de contas e o cliente paga o que foi consumido da concessionária.

"O Brasil está muito atrasado quando o assunto é geração fotovoltaica. Basta ver a Alemanha, que possui incidência solar inferior à nossa, mas a geração é maior", diz. Ainda de acordo com D'Araújo, investir nessa fonte é fundamental para que o país dê um salto em tecnologia energética.

Empresa desenvolve em Belo Horizonte nova geração de células para captar a luz do sol

Uma nova geração de células orgânicas está em produção em escala comercial pela Csem Brasil em Belo Horizonte. A tecnologia, que capta a luz do sol para gerar energia, é desenvolvida em grandes volumes apenas em Minas Gerais, Alemanha e Japão. Reduzir o consumo de combustível dos veículos e abastecer residências está entre as aplicações do produto.

O ineditismo do filme orgânico chama a atenção. Como reflexo, a expectativa do CEO da Csem Brasil, Tiago Maranhão, é a de que nos próximos cinco anos o faturamento da Sunew, empresa criada para comercializar placas solares, finas e modernas, seja de centenas de milhões de reais. O produto já foi vendido para diversos clientes, mas os nomes são mantidos em sigilo.

Enquanto as placas de silício são duras, pesadas e grandes, o filme orgânico é flexível, leve, transparente e pode ser produzido por meio de impressão. Ou seja, as placas orgânicas chegam onde o silício não vai.

Atualmente, de acordo com o CEO, a capacidade produtiva da Csem Brasil chega a 400 mil metros quadrados por ano.

Aplicações

Com o produto, é possível revestir prédios, cobrir veículos e revestir mobiliários urbanos. Tudo isso, sem interferir no visual da cidade. "As placas são transparentes, por isso, não há impacto", diz Maranhão.

Conforme afirma o CEO da Csem Brasil, uma parceria com a montadora Fiat foi fechada. A partir dela, no futuro será possível utilizar as placas para substituir o alternador e aliviar o motor. O objetivo é economizar combustível. "O mercado automobilístico é muito competitivo. Reduzir o consumo de combustível será um grande diferencial", afirma.

Urbano

No caso do mobiliário urbano, o destaque vai para as praças, pontos de ônibus e demais locais públicos de grande concentração. "Podemos utilizar as placas para gerar energia para que as pessoas recarreguem o celular ou, até mesmo, para que os postes fiquem acessos. É a cidade do futuro se tornando realidade".

Em estruturas flutuantes, como embarcações, também é possível aplicar as faixas de geração solar. Principalmente em reservatórios de hidrelétricas e de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH). Assim, as fontes se complementam.

Minas no foco

Ele destaca a participação de Minas Gerais no desenvolvimento do produto. "As pessoas não sabem, mas temos, aqui no Estado, o que há de mais tecnológico em placas solares em Belo Horizonte. E foi tudo desenvolvido por nós mesmos", ressalta.

Pelo menos 50 pessoas de 10 nacionalidades diferentes trabalham no laboratório, instalado na Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec), da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Inicialmente, a Csem Brasil recebeu cerca de R$ 100 milhões em investimentos.


Fonte: Jornal Hoje Em Dia


Trabalho da Ruralminas garante acesso à água para mais de 1.700 famílias no Norte de Minas


A Ruralminas, por meio do Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Água – Água Para Todos, Alimentação Familiar, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas (Idene), realiza ações que visam garantir o acesso à água para 24 municípios no Norte mineiro. No total, serão 1.736 famílias beneficiadas. 

Os produtores rurais das localidades escolhidas são beneficiados com um kit contendo dez barragens de captação de água de chuva, uma cisterna e um tanque para criação de peixes. Através da construção da barragem, o lençol freático é alimentado favorecendo o aparecimento de água na cisterna que será usada para encher o tanque de criação de peixes e para o uso pessoal das famílias.

As famílias beneficiadas pelo programa são indicadas pelos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) de cada município. De acordo com o Técnico Ambiental da Ruralminas, Frederico Borges, esse trabalho também contribui para a diminuição do êxodo rural. “Essas ações valorizam solo para o plantio e incentivam a permanência das famílias no campo. O abastecimento também é uma conquista muito importante para as comunidades, já que o abastecimento era realizado através de caminhões pipa”, afirma.

Os produtores rurais que comemoram a implantação do programa Água Para Todos, que favorece a plantação de alimentos, gera água para consumo próprio e para criação de peixes. Esse é o caso da senhora Lina Oliveira, moradora da comunidade de Pesqueiro, no município de Gameleira. Para ela as melhorias foram muito gratificantes. “Por aqui está todo mundo feliz. Melhorou demais. Nós sonhamos com isso e agora podemos ver com nossos olhos. Antes era muito sofrimento. Eu precisava andar mais de 300 metros para buscar água para beber. Lavava roupa na bacia. Hoje tenho água dentro de casa e um peixinho para fazer a hora que quiser”, narra.

Em Gameleira foram construídas 310 bacias de captação de água de chuva, 31 tanques para criação de peixes e 31 cisternas. Mais de 30 famílias foram beneficiadas. A previsão é que os trabalhos nos 24 municípios do Norte de Minas seja concluído em março de 2016.

Os 24 municípios beneficiados são: São João da Ponte, Patis, Lontra, Pedras de Maria da Cruz, Bonito de Minas, Januária, Cônego Marinho, Itacarambi, Miravânia, Jaíba, Verdelândia, Nova Porteirinha, Riacho dos Machados, Matias Cardoso, Juvenília, Montalvânia, São João das Missões, Espinosa, Mamonas, Mato Verde, Rio Pardo de Minas, Pai Pedro, Catuti e Gameleiras.


Fonte: Agências Minas


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Aumento da fertilidade do solo e adoção de práticas conservacionistas são estratégias em cenário de seca


Construir a fertilidade dos solos, possibilitando aumento radicular das culturas e consequente acesso aos nutrientes e água, é uma das necessidades no cenário vivido hoje principalmente por agricultores das regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde as altas temperaturas e os períodos de estiagem estão mais frequentes. Segundo pesquisadores da Embrapa, um solo fisicamente adequado apresenta condições favoráveis ao crescimento radicular, com boa infiltração de água para evitar o escorrimento superficial e que não atinja altas temperaturas.

Emerson Borghi, do Núcleo de Desenvolvimento de Sistemas de Produção da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), explica que quanto mais altas as temperaturas maiores são as taxas de evaporação de água no solo e de transpiração da planta, o que resulta em degradação de raízes e morte de microrganismos. "Sem ar e água, a raiz não realiza suas funções. O modelo de produção adotado pode contribuir para degradar ou conservar. Daí a importância da presença da matéria orgânica", afirma.

Segundo ele, o grande benefício desse composto é a retenção de água. O Sistema de Plantio Direto, por exemplo, impede que as temperaturas subam muito na superfície, reduz as perdas de água e estimula a atividade microbiana. "A simples presença de palha reduz em até 19 ºC a temperatura na superfície do solo. A cobertura diminui a temperatura tanto ao longo do dia quanto nos meses mais quentes do ano. O segredo é a rotação de culturas, diversificando espécies, e não a sucessão, simplesmente", apresenta.
 
Solo: alicerce do sistema produtivo

A intensificação de cultivos no solo proporcionada pela rotação de culturas é fonte de nutrientes e de energia. A presença da palhada possibilitada por técnicas como o Plantio Direto ou a Integração Lavoura-Pecuária aumenta a porosidade, intensificando as trocas gasosas e a retenção de água. Resultados de experimentos conduzidos em 2015 na Embrapa Milho e Sorgo em áreas de ILP mostram que um esquema de rotação de lavouras é boa estratégia tanto para incrementar a produtividade vegetal e animal quanto para possibilitar colheitas "pelo menos razoáveis diante da ocorrência de veranico, que é um problema cada vez mais perceptível". "O solo é o alicerce do sistema produtivo. Quanto maior o tempo de adoção de práticas conservacionistas, maiores serão os benefícios", mostra o pesquisador.
 
Gestão e técnicas conservacionistas são estratégias

"Nesse contexto de escassez hídrica, a solução é a gestão, que deve ser permanente", complementa o pesquisador João Herbert Moreira Viana, do Núcleo de Água, Solo e Sustentabilidade Ambiental da mesma Unidade da Embrapa. Ele defende que o desafio para a pesquisa é saber quando ocorrerão as mudanças e interpretar essas tendências. Na região Central de Minas Gerais, onde está localizada a Embrapa Milho e Sorgo, a média de precipitação anual é de 1.347 mm, sendo que a série histórica indica que existem anos mais secos. "A partir disso, temos que trabalhar com riscos, tanto para mais quanto para menos", afirma.

O pesquisador acredita que para evitar os riscos já conhecidos provocados por técnicas inapropriadas de uso do solo, o agricultor deve ter seu foco voltado para a implantação de medidas preventivas de conservação. "O custo de não conservar é muito maior. A partir de um diagnóstico local, temos que implantar técnicas que possibilitem a perda de água por escoamento, que também provoca a perda do solo e dos seus nutrientes por erosão", explica. "A água que você deixa de usar é um prejuízo que você não enxerga. A crise hídrica serve como alerta para que bons gestores se sobressaiam", conclui o pesquisador.


Fonte: Embrapa


Embrapa apresenta alternativas de alimentação do rebanho no período da seca

O Encontro regional sobre pecuária leiteira aconteceu na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas-MG, em 28 de maio, durante a Semana de Integração Tecnológica - 8ª SIT 2015. O objetivo do encontro foi mostrar para os produtores a importância do planejamento em todas as fases de produção do leite e, principalmente, mostrar as alternativas de alimentação do rebanho e soluções para período da seca.

Este encontro foi dividido em duas partes: um seminário, realizado no auditório da Embrapa e uma visita técnica às estações da Vitrine de Tecnologias. As atividades foram coordenadas pelo pesquisador do setor de transferência de tecnologia da Embrapa, Ivênio Rubens de Oliveira.

No primeiro debate do seminário, o coordenador técnico estadual da área de bovinocultura, da Emater-MG, Feliciano Nogueira de Oliveira, apresentou o "Cenário atual da pecuária leiteira no contexto mundial". Ele ressaltou os desafios a serem superados pelos produtores e as oportunidades sinalizadas atualmente pelo mercado no contexto apresentado: "No caso do leite, trata-se de um gênero produzido, demandado e comercializado no mundo inteiro. Como desafios é importante ficarmos atentos a pontos cruciais que nos assegurem espaço no mercado, tais como: produção de leite e de bezerros de qualidade, para o abastecimento das respectivas cadeias produtivas - leite e corte, com matéria-prima de boa qualidade; gestão da atividade para a tomada de decisões e a adoção de tecnologias já disponíveis, como a recuperação de pastagens degradadas por meio da técnica de integração lavoura e pecuária, coerentes ao desafio maior da agropecuária de contribuir na redução dos impactos ambientais geradores de mudanças climáticas e da escassez hídrica".

"Em 2014, a produção mundial de leite foi de 582.581 mil toneladas de leite. Trata-se de um produto de alto valor nutritivo e biológico, produzido e consumido no mundo inteiro. E isso é uma grande oportunidade de mercado, tendo em vista a grande variedade de produtos processados e industrializados advindos do leite", disse Feliciano Oliveira.

Feliciano Oliveira informou também que o Brasil produz aproximadamente 35 bilhões de litros de leite por ano, para uma população de 204 milhões de habitantes. Porém, apesar de ser o 5º produtor mundial de leite, existe ainda no país um déficit de, aproximadamente, 8 milhões de litros de leite, pois, de acordo com o Ministério da Saúde, a recomendação de consumo por habitante/ano é, em média, de 207 litros.

Para contribuir e aproveitar esse cenário, o produtor precisa se preparar e ficar atento para cumprir as normas de produção e atender ao mercado consumidor. "No Brasil, vigora a Instrução Normativa (IN) 62, do Ministério da Agricultura, que estabelece os parâmetros de qualidade para o leite e que precisa ser conhecida e cumprida por todos", afirmou Feliciano. Ele ressalta que "para que o setor seja competitivo na produção, industrialização e na comercialização de produtos lácteos, é preciso que o produtor e todos os demais envolvidos conheçam e façam valer esse normativo, pois do contrário haverá menos qualidade da matéria-prima, menor remuneração pelo produto, menos rendimento industrial e maior risco à saúde pública, gerando, como consequência, menor competitividade, menor ganho financeiro e perda de mercado interno e externo".

Produção de leite a pasto

O segundo tema abordado no seminário foi apresentado pelo pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Leovegildo Mattos, especialista em nutrição de ruminantes. Ele falou sobre produção de leite a pasto, com ênfase para as opções de sistemas de produção que priorizem o manejo das pastagens, para que os produtores colham sua própria forragem, com redução de custos de mão de obra e economia na aquisição, manutenção e utilização de equipamentos e combustíveis onerosos.

De acordo com Leovegildo Mattos, nas regiões tropicais existe a vantagem de se trabalhar com gramíneas tropicais, muito eficientes no processo de fotossíntese e com elevadíssimo potencial de acúmulo de biomassa. Essa biomassa produzida pelas forrageiras tropicais, se bem manejadas, podem suprir nutrientes para produção de 12 a 13 kg de leite por vaca, por dia, sem a necessidade de utilização de rações concentradas mais caras, pelo menos durante o período chuvoso do ano, ou até durante o período seco, com irrigação. Essa proposta visa, ainda, reduzir os custos de alimentação durante o período seco do ano, com irrigação ou com uma área cultivada com cana-de-açúcar", afirmou.

O pesquisador ressalta que a cana-de-açúcar proporciona alta produção de sacarose por hectare, quando utilizadas variedades industriais da cultura, pois trata-se de um volumoso mais barato por quilograma de massa. E toda essa produção eficiente de volumosos de cana-de-açúcar e de pasto depende de uma adubação adequada e manejo de corte do canavial na época correta. "Essas ações permitem produzir leite a baixo custo e superar os períodos cíclicos de preços reduzidos, pagos pelo leite ao produtor. Durante o ano os preços oscilam e o produtor deve estar preparado para produzir com custos abaixo do preço recebido (preço do leite na porteira)", orientou.

Leovegildo Mattos disse que, infelizmente, as atitudes de boa parte dos nossos produtores não priorizam a produção de alimentos e a redução dos custos de produção. Para a maioria, o foco é direcionado para a compra de novilhas ou vacas, a preços que nunca podem ser amortizados com a produção leiteira.

Alternativas para alimentação do rebanho

"Nos três últimos anos, houve grande influência climática nas produções agropecuárias de Minas Gerais, em razão, principalmente, das poucas chuvas ocorridas no período de safra. Este fato acarretou a diminuição na produção de cereais e de forragens para a alimentação de bovinos leiteiros". A afirmativa é do pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, Epamig, Clenderson Corradi de Mattos Gonçalves, que apresentou o tema "Alternativas para alimentação do rebanho leiteiro na época seca do ano" no seminário da SIT 2015, na Embrapa Milho e Sorgo.

De acordo com o pesquisador, pelos dados coletados na estação meteorológica do INMET, em Sete Lagoas, foi possível observar que a quantidade de chuvas de outubro a março nas safras 2012/2013, 2013/2014 e 2014/2015 foram 51%, 60% e 74%, menores que a média das quatro safras anteriores na região. "Esta falta de chuva acarretou a diminuição na produção de cereais e de forragens para alimentação de bovinos leiteiros, influenciando diretamente na produção de leite", disse.

Clenderson Gonçalves ressaltou que um bom planejamento para produção e armazenamento de volumoso no período seco é de extrema importância na produção leiteira regional. "Sabemos que em Minas Gerais temos duas épocas bem definidas, sendo uma chamada de período das águas, em que temos chuva e temperatura para bom desenvolvimento das forrageiras, e o período seco, com baixas temperaturas, luminosidades e poucas chuvas, provocando diminuição no desenvolvimento das forragens em torno de 80%. Portanto, além de se preocupar com a forragem, o produtor precisa se preparar para não depender muito do pasto. E o pasto deve estar muito bem preparado e manejado para o período da seca", pontuou.

Clenderson ressaltou que a utilização da silagem de milho e sorgo, com ênfase para o aproveitamento do amido e para a diminuição da perda de grãos nas fezes dos animais, é uma boa alternativa de alimentos.

"A técnica do milho reidratado pode ser utilizada para armazenamento do milho grão na própria fazenda. Esta tecnologia foi desenvolvida recentemente pelo professor Marcos Neves Pereira, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), e pela pesquisadora da EPAMIG, Renata Apocalypse N. Pereira. Trata-se da conservação de milho, na fazenda, pela reidratação e ensilagem para utilização na alimentação dos animais no período seco em substituição ao milho moído", comentou.

Clenderson ressaltou também que a utilização da silagem de cana-de-açúcar é bastante benéfica para o rebanho, principalmente pelo grande potencial de produção de matérica seca da cana-de-açúcar por hectare. "É uma ferramenta indispensável quando se pensa em anos menos chuvosos", disse. Outra opção recomendada pelo pesquisador é usar a silagem de capim e algumas tecnologias que podem aumentar seu valor nutricional para melhor desempenho dos animais. "É uma alternativa interessante quando temos deficiência de espaço e pouca chuva", afirmou.

Programa Regional de melhoria da alimentação do rebanho leiteiro e premiação das melhores experiências de 2014/2015

O "Programa regional de melhoria da alimentação do rebanho leiteiro e a premiação das melhores experiências de 2014/2015" também foram apresentados no Encontro regional sobre pecuária leiteira, na Embrapa Milho e Sorgo. Nesta etapa, o gerente da Embrapa Produtos e Mercados, escritório de Sete Lagoas, Reginaldo Rezende Coelho, e o Coordenador Técnico Regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Walfrido Machado Albernaz, apresentaram o projeto que trata da promoção e desenvolvimento de cultivares de milho e de sorgo para a produção de silagem na bacia leiteira da região de Sete Lagoas-MG.

Walfrido Albernaz ressaltou que o foco principal deste trabalho na safra de 2014/2015 foi melhorar a produção de silagem e a recuperação de pastagens. "Foram beneficiados 58 produtores em 16 municípios da região de Sete Lagoas. Os produtores receberam insumos e apoio técnico, para testar as cultivares de milho e sorgo da Embrapa", disse.
Reginaldo Coelho explicou que foram escolhidas 4 cultivares de milho e 3 de sorgo. As cultivares foram inseridas no sistema de produção para que os produtores pudessem avaliar o desenvolvimento da cultivar em uma determinada época de plantio em sua região e observar o comportamento dela. "Com base nessa avaliação, foi verificado o potencial da cultivar para a produção de silagem. Dessa forma a Embrapa poderá posicionar a cultivar para uso ideal na região onde foi testada" disse.

O projeto visa também colocar as empresas produtoras de sementes, licenciadas pela Embrapa, para atender as demandas que surgirem em função dessa indicação. "A primeira etapa do trabalho foi avaliar o rendimento de silagem e a segunda etapa será avaliar a qualidade da silagem no momento da abertura dos silos. Essa qualidade é verificada por meio de análise bromatológica, feita nos laboratórios da Embrapa Gado de Leite (Coronel Pacheco-MG)", afirmou Reginaldo Coelho.

"As primeiras conclusões já foram colhidas. Percebemos que algumas cultivares já apresentaram resultados positivos, como o milho BRS 1055 e o sorgo BRS 655. Um outro ponto positivo que percebemos foi o comportamento do sorgo na condição de escassez de chuva. O sorgo, mesmo com o veranico, se recuperou com a chegada das chuvas e teve uma boa produção, além de possibilitar a colheita da rebrota", afirmou o gerente da Embrapa Produtos e Mercados.

Foi desenvolvido um programa regional para melhorar a qualidade e a quantidade de alimentos volumosos, produzidos nas propriedades leiteiras. "Os produtores puderam avaliar o desempenho de cultivares de alto potencial produtivo e recuperar áreas utilizando o sistema de produção Integração-Lavoura-Pecuária (ILP). A produção de silagem obtida terá importância fundamental para a alimentação do rebanho no período da seca. Algumas unidades demonstrativas foram utilizadas para a realização de dias de campo e visitas técnicas, onde os produtores vizinhos puderam conhecer as tecnologias de melhoria da alimentação do gado leiteiro", ressaltou Albernaz.

O produtor rural Celso Aparecido de Oliveira, de Santana do Pirapama-MG, participou do projeto e teve bons resultados em sua fazenda, onde tem uma criação de gado de leite. Ele planta milho e sorgo para produzir silagem para alimentar o rebanho, além de manter uma pastagem irrigada e de sequeiro. "Gostei muito do acompanhamento dos técnicos da Embrapa e da Emater, que estavam sempre nos dando apoio na propriedade. A produção de leite da fazenda aumentou para cerca de 250 litros por dia, e já tem destino garantido para uma cooperativa", afirmou.

O projeto foi realizado pela Embrapa, em parceria com a Emater, Epamig, cooperativas de leite Itambé, Cooperativa de Abaeté (Cooperabaeté) e Cooperativa dos Produtores de Pompéu (COOPEL), as licenciadas Riber KWS Sementes e Limagrain Guerra Sementes e empresas do setor agropecuário regional (Agronelli, Treviso, Biogene, Sementes Faria, Pigminas e Adubos Vanguard).

A proposta abrange atualmente 38 produtores em 21 municípios: Papagaios, Baldim, Fortuna de Minas, Maravilhas, Florestal, Santana do Pirapama, Cachoeira da Prata, Esmeraldas, Mateus Leme, Funilândia, Capim Branco, Inhaúma, Pedro Leopoldo, Pequi, Lagoa Santa, São José da Varginha, Sete Lagoas, Bom Despacho, Pompéu, Abaeté e Coronel Pacheco.

Circuito tecnológico

Na vitrine de tecnologias da Embrapa Milho e Sorgo, os participantes do Encontro regional sobre pecuária leiteira visitaram 4 estações.

Estação 1: Tecnologias utilizadas para aumentar a matéria orgânica do solo

Walfrido Albernaz, da Emater, explicou aos visitantes que para aumentar a cobertura do solo podem ser utilizadas práticas vegetativas como o plantio direto; o sistema Integração-Lavoura-Pecuária, em que se utiliza o consórcio de culturas de milho ou sorgo com braquiária; a adubação verde, com feijão-guandu; e a utilização de resíduos orgânicos (cama de frango, compostos orgânicos com componentes variados, tais como casca e ramos de arroz, de feijão, restos de frutas, estercos, serragem, restos de alimentos).

O pesquisador da Epamig, Francisco Morel Freire, ressaltou que o solo mantém um constante processo de decomposição e que o comportamento da matéria orgânica do solo influencia no sistema de manejo escolhido pelo produtor. "Alguns fatores são importantes e precisam ser observados continuamente para manter a matéria orgânica no solo, entre eles o clima e o tipo de solo. Em geral, as taxas de decomposição são maiores com o aumento da umidade do solo e da temperatura, e os solos arenosos não ofertam boas condições para acumular a matéria orgânica. A acidez do solo é um outro fator que também influencia na velocidade de decomposição de matéria orgânica", explicou.

Estação 2: Gessagem e fosfatagem do solo

O gesso agrícola é aplicado para corrigir a acidez na camada subsuperficial do solo, abaixo dos 20 centímetros de profundidade. O representante da Agronelli - Insumos Agrícolas, João Donizette do Amaral Júnior, ressaltou que o gesso é um fertilizante condicionador de solos, fonte eficiente de cálcio e enxofre que, além de promover maior desenvolvimento radicular em profundidade, permite a redução da saturação por alumínio. "O gesso agrícola aumenta a eficiência agronômica no aproveitamento dos fertilizantes, promove maior resistência da planta à seca e maior acesso ao volume de água e nutrientes disponíveis no solo", disse.

Cristiano Moura, agrônomo da Adubos Vanguard, ressaltou a necessidade de se fazer a correção do solo e a adubação adequada para cada tipo de cultura. "O fósforo é um macroelemento mais caro e deve ser colocado bem no fundo da cova, antes do plantio. Mas primeiro é preciso fazer a correção do solo, para não haver perda do fósforo da planta para o solo", explicou.

Estação 3 -Seleção de culturas para produção de forragem

Nesta estação, os agrônomos da Embrapa Produtos e Mercados, escritório de Sete Lagoas, Reginaldo Coelho e Sinval Resende Lopes, trouxeram exemplos de plantios de milho e de sorgo para a produção de forragem, no período da seca. Um deles foi apresentado pelo coordenador de Captação de Leite da Cooperativa Itambé, João Paulo Morais.

De acordo com Morais, na Unidade Demonstrativa da Itambé, o plantio de 5 hectares de sorgo foi essencial para garantir a produção de silagem para os touros no período de seca. "O sorgo sofreu com a falta de chuvas, mas teve bom rendimento na safra. E, mesmo não fazendo investimento de insumos para a rebrota, conseguimos colher 40 toneladas.

O representante da Sementes Faria, Erlan Faria, apresentou o milheto como opção de produção de forragem e de silagem. Ele ressaltou que o milheto é uma cultura ideal para fazer a cobertura do solo. "O milheto é muito resistente à seca, e é um excelente descompactador de solo, pois sua raiz chega a 3,5 metros de profundidade".

Estação 4 - Produção de silagem de qualidade

Nesta estação, o representante comercial da Biogene, Enio Gomes, falou sobre o processo de produção de silagem de qualidade. Ele ressaltou que para produzir uma silagem de qualidade o produtor precisa ficar atento ao momento certo da colheita do grão e fazer a compactação de forma ideal.

O gerente de vendas da Treviso Máquinas, Edmilson Wagner Costa Junior, explicou sobre as linhas de potência dos tratores para corte e trato das culturas, principalmente para milho, sorgo e pastagens. Ele apresentou máquinas e tratores que possibilitam melhores condições de preparação do solo para o plantio e colheita de grãos para silagem.


Fonte: Embrapa