quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Os usos múltiplos do maracujá

Da flor à casca, veja o que pode ser feito com a fruta

As variedades azeda (ou amarela) e doce são as mais utilizadas no país (Foto: Anderson Schneider / Ed. Globo)

Nativo da América Tropical, o fruto do maracujazeiro possui vitaminas A, C e do complexo B, além de sais minerais como potássio, ferro e cálcio. Além de maior produtor, o Brasil é o que mais consome maracujá no mundo. No entanto, apesar de existirem mais de 150 espécies e cerca de 70 viáveis para comercialização, o país utiliza apenas duas em maior escala (a variedade azeda, Passiflora edulis e a doce, Passiflora alata), afirma Ana Maria Costa, pesquisadora da Embrapa Cerrados e líder da Rede Passitec (Desenvolvimento Tecnológico para Uso Funcional e Medicinal das Passifloras Silvestres).
 
Atualmente, a Embrapa trabalha no desenvolvimento de cultivares novas, com propriedades diferentes, maior produtividade e usos múltiplos. O maracujá pérola, por exemplo, é rico em ferro e tem mais taliamina do que a maçã, além de ser fácil de produzir. Lançado em maio de 2013, já está sendo inserido no mercado por produtores do Distrito Federal e utilizado na merenda escolar, conta Ana Maria.
 
Segundo a pesquisadora, aproximadamente 900 mil toneladas da fruta são produzidas por ano. “A maioria vai para a produção de suco e isso gera um passivo ambiental [resíduos, como cascas e sementes] de cerca de 600 mil toneladas”. Hoje, a rede de pesquisas tem estudos para utilizar as partes do maracujazeiro de forma completa. “Tirando o suco, o resto é pouco aproveitado pela indústria”. Para ela, esses resíduos “têm potencial de industrialização e vão enriquecer o cardápio do brasileiro”.
 
Veja o que pode ser feito com cada parte:
 
1) Polpa
 
A polpa do maracujá azedo, o mais popular no país, é utilizada majoritariamente na indústria de sucos e em preparações caseiras. Já o doce é o famoso “maracujá de colher”, onde a polpa é consumida in natura.
 
2) Casca
 
De acordo com Ana Maria Costa, atualmente grande parte das cascas ou vão para o lixo ou para ração animal e adubo, mas a farinha feita da casca começa a ser difundida. “Ela contribui para diminuir a absorção de açúcar e gordura, ajuda no equilíbrio do intestino e dá a sensação de saciedade”, conta a pesquisadora. Com grande quantidade de fibras, pesquisas da Rede Passitec já testaram o uso da farinha em queijos e iogurtes.

A pesquisadora lembra que para obter uma boa farinha, é preciso cuidado no processamento. “São necessárias boas práticas de higiene para fabricar um produto de boa qualidade”. Segundo ela, nem sempre as grandes indústrias têm essa preocupação com a casca, por isso, os fabricantes da farinha normalmente compram a matéria-prima de processadoras menores. “A farinha boa é clarinha, bem fina e tem baixo teor de amargor”, ressalta.

A Rede Passitec também já desenvolveu um espessante a partir da casca, que foi testado em escala laboratorial na fabricação de queijo, requeijão e sorvete. A pesquisadora conta que alguns produtos já estão começando a atingir o mercado. Ela cita como exemplo a Associação de Produtores de Unaí que farão, até o fim de novembro, o primeiro teste de colocação no mercado do queijo com fibras da casca do maracujá. “Outras cooperativas também já estão se interessando por colocar o produto no mercado”.
 
A pesquisadora diz que também já existe licor e cachaça feitos a partir da casca fermentada. “Nesse caso, é possível usar o resíduo de grandes indústrias, uma vez que o processo de fermentação purifica o material”.


Sementes podem ser aproveitadas em diversos produtos
(Foto: Soraya Pereira/Embrapa)
3) Semente

Além de enfeitar mousses e outros pratos, ela pode ser transformada em óleo a ser usado na indústria alimentícia e de cosméticos. A Extrair Óleos Naturais produz três produtos com a semente da fruta: a versão desidratada, o óleo e o farelo desengordurado, que é a torta resultante da extração do óleo.
 
Sandro Reis, sócio-gerente fundador da empresa, explica que a matéria-prima vem de indústrias de polpa da fruta de diversos Estados brasileiros. “O material vem sujo e é limpo na fábrica. Utilizamos um processo de limpeza desenvolvido pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que faz isso de forma mais rápida”. Reis diz que a rapidez do processo possibilita a fabricação de um produto de melhor qualidade, pois evita a deterioração da semente, que estraga dois dias depois de ser retirada.
 
Ana Maria ressalta que o óleo tem boa quantidade de ômega 6 e é utilizado tanto na indústria alimentícia quanto na cosmética. “Ele pode ser usado como emoliente, pois diminui o inchaço debaixo dos olhos”. Sandro afirma que “o farelo é interessante tanto na fabricação de esfoliantes quanto para substituir em até 25% a farinha em pães, principalmente na linha integral”.

Flor tem uso cosmético e ornamental (Foto: Breno
Lobato/Embrapa)
4) Flor


De beleza marcante, a flor do maracujá é empregada na indústria de cosméticos por seu aroma. Algumas espécies também são plantadas com o propósito do uso ornamental.

5) Folha


É da folha do maracujá doce (passilfora alata) que a passiflorina utilizada em remédios é extraída pela indústria farmacêutica. É também da folha dessa espécie que a Natura extrai dois flavonóides empregados na fabricação de cremes rejuvenescedores. “São muito interessantes do ponto de vista cosmético, pois tem propriedade de regeneração celular”, afirma a pesquisadora.




Fonte: Globo Rural

Pecuarista tem alternativas para evitar prejuízos com a seca

Foto: Danilo Moreira/Embrapa Pecuária Sudeste
Entre os meses de outubro e novembro, os pecuaristas já precisam começar o planejamento para o próximo período de seca, quando o crescimento da pastagem é mais lento e a qualidade do pasto também é menor. Na época de seca, o efeito sanfona do animal, gordo na época das águas e magro na época seca, aparece.

Para minimizar o impacto da estiagem e da diminuição de temperatura em algumas regiões, é necessário iniciar o planejamento com um ano de antecedência. Assim, quando chegar o período de seca, o produtor estará preparado para enfrentá-lo.

O pecuarista tem alternativas para evitar prejuízos. Mas para isso, ele deve ter uma estimativa do rebanho ao logo do ano, ter noção da capacidade de produção de forragem dos pastos e saber qual é o ganho de peso dos animais em cada categoria.

Uma das possibilidades é reservar uma parte do pasto na época de chuvas para que o gado possa se alimentar na seca. A vedação deve ser realizada no terço final do período chuvoso para garantir uma alimentação adequada durante os meses de seca.

A produção de silagem, feno ou cana-de-açúcar pode ser alternativa viável, dependendo da região e das condições do produtor. A integração lavoura-pecuária-floresta também pode colaborar na melhoria do solo, na recuperação da pastagem, além de oferecer produtividade e qualidade do pasto.

Conhecer as características climáticas da região e os impactos sobre o desenvolvimento do capim é importante para reduzir os riscos do período de seca. Os zoneamentos agroclimáticos para plantas forrageiras podem servir de subsídio no planejamento das atividades agropecuárias.


Fonte: Rural BR 


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Oficina discute TT mais ágil nos projetos de combate à miséria no Semiárido

O apoio da Embrapa às políticas públicas de combate à miséria já contabiliza a instalação de mais de 300 Unidades de Aprendizagem em 14 Territórios da Cidadania localizados no Semiárido. Com 12 projetos em execução e mais cinco que iniciam suas atividades neste ano, a instituição discute ajustes entre suas áreas de pesquisa, de transferência de tecnologia e de administração para intensificar e dar maior eficiência à sua participação.

Até a conclusão dos projetos, a Embrapa deverá apresentar números ainda mais expressivos. Serão instaladas cerca de 1.300 tecnologias de captação, armazenamento e conservação das águas de chuva, como cisternas de consumo e de produção, barraginhas, barragens subterrâneas, entre outras. Viveiros para a criação de galinhas caipiras serão 110. Há, ainda, metas para a introdução de técnicas de produção e conservação de forragens, criação de abelhas, manejo dos rebanhos e instalação de pequenas hortas nos quintais das residências nas áreas rurais.

Boas práticas - As ações da Embrapa de apoio no combate à miséria tiveram início em 2012. De acordo com Fernando do Amaral Pereira, chefe do Departamento de Transferência de Tecnologia (DTT), o atual momento é de consolidar os projetos, principalmente com a otimização dos processos administrativos para aquisição de insumos e de equipamentos e contratação de construções.

A questão foi tratada na Oficina de Boas Práticas dos Projetos da Embrapa no Combate à Fome e Miséria no Semiárido, realizada na cidade de Petrolina (PE), nos dias 19 e 20 de agosto. Nela, pesquisadores e técnicos de nove Unidades da Embrapa sediadas no Nordeste e Minas Gerais apresentaram e debateram avanços e dificuldades na execução dos projetos com os chefes-adjuntos de Transferência de Tecnologia e de Administração, além do chefe da Assessoria Jurídica (AJU) da Empresa, Antônio Nilson Rocha, e de advogados que atuam nas UDs.

Segundo Fernando do Amaral, a oficina foi uma oportunidade de socializar experiências de gestão dos projetos. A participação do chefe da AJU e da equipe de advogados teve o objetivo de esclarecer procedimentos legais que dão a necessária segurança jurídica aos gestores na prática de atos administrativos. Segurança que costuma destacar a Embrapa na área pública pela eficiência de 98% na execução do seu orçamento e, o que é importante, sem restrições de ordem legal.

Aprendizagem - Existem dois tipos de projeto de combate à miséria em andamento. Um, territorial, é voltado para a implantação de tecnologias nas chamadas Unidades de Aprendizagem, a exemplo dos fogões ecológicos, plantas forrageiras e hortas. Doze deles estão em execução.

Outro tipo, o transversal, trata de temas que são comuns a todos os 14 territórios. Água, por exemplo, que é fundamental para viabilizar a implantação de outras ações e tecnologias do projeto. Outros temas transversais são os de galinha caipira, rede de multiplicação de manivas de mandioca, ações de capacitação e de divulgação de informações tecnológicas e acompanhamento, monitoramento e avaliação de impacto dos projetos da Embrapa nessa área.

De acordo com o chefe do DTT, os pesquisadores e técnicos da Embrapa e das instituições parceiras ainda enfrentam o desafio de atuar nos programas de combate à miséria "com" os agricultores e não "para" os agricultores. Nessa forma, que não impõe a adoção de tecnologias, a relação com os agricultores é marcada pelo diálogo e pela avaliação conjunta do que é viável no ambiente onde mantêm suas atividades agrícolas.

Para Fernando do Amaral, cada realidade tem sua especificidade. "Mesmo no Semiárido existem vários ambientes distintos e a tecnologia não é autoaplicável em qualquer um deles. Portanto, precisa passar por adaptações e ajustes conforme as condições do ambiente onde está localizada a propriedade".

Ainda segundo o chefe do DTT, "o objetivo é buscar uma eficiência que torne as pessoas capazes de agregar valor à sua produção, colher alimentos e, quem sabe, dispor de um excedente que possa ser comercializado nos mercados locais. Não vamos impor tecnologias aos agricultores".

Fonte: Embrapa.


Construção de curral no norte de Minas


Numa propriedade rural, que trabalhe com a criação de bovinos de corte ou leite, seja ela grande ou pequena, é indispensável a existência de um curral. O treinamento, com o objetivo de orientar o produtor a construir a benfeitoria, foi realizado no Haras HP em Montes Claros, pela primeira vez no estado.

O curso, promovido pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Montes Claros e SENAR MINAS, contou com a participação de oito produtores e trabalhadores rurais, que receberam orientações desde a fixação dos mourões até o acabamento.
 
Segundo o gerente regional do SENAR em Montes Claros, Dirceu Martins, o treinamento vai permitir ao participante que ele mesmo construa o curral de sua propriedade, investindo apenas na madeira e dobradiças. Uma economia significativa, pois a construção de um curral convencional de 25 metros quadrados, conforme apuração do mobilizador do Sindicato dos Produtores Rurais de Montes Claros, Osmani Barbosa Neto, pode custar até R$ 8 mil.

“A madeira de reflorestamento, usada nos treinamentos, é protegida contra fungos e insetos, tem o preço mais em conta e pode durar até 20 anos”, diz o gerente. Segundo Dirceu, o grande ganho com este tipo de curral, além de financeiro, é ambiental. “Grande parte dos currais construídos no norte de Minas utiliza madeira de Aroeira, espécie ameaçada de extinção e hoje protegida por lei”.

Para os instrutores, Anderson Pinto Botelho e Vandeir Santos Vieira, o treinamento oferecido pelo SENAR MINAS permite facilidades na formação de mão de obra, pois a madeira roliça possibilita a padronização dimensional das peças e dos encaixes, facilitando o aprendizado dos alunos. Permite Também maior racionalização de recursos e melhor custo benefício.

Conforme os produtores, Hélio Pinheiro e Felisberto Costa, o curral é uma das instalações mais importantes na propriedade, pois é usado na vacinação, apartação, castração, ordenha, ferragem, contenção e tratamentos veterinários.

Sebastião Frões Souza, carpinteiro de profissão, trabalha com construção de cercas, telhados, galpões, dentre outros, mas nunca tinha construindo um curral. Ficou impressionado com as facilidades proporcionadas pelas orientações repassadas no treinamento. “Nunca pensei que pudesse construir um curral sem a ajuda de ninguém. Estou encantado com esta possibilidade”.


Fonte: FAEMG.

Bovinocultura e produção de leite são afetados pela seca em Minas Gerais

Alguns municípios de Minas Gerais estão sofrendo com a falta de chuva em suas lavouras. São 103 cidades, entre as quais São Francisco, Januário e Montes Claros. Regiões agrícolas, as produções locais têm sofrido com o clima. A mais prejudicada é a de leite, que representa cerca de 27% da produção nacional.

Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, o mês de setembro tende a ser seco como agosto, que registrou 3,3 mm de chuva em Belo Horinzonte- 76% abaixo da média de precipitação. “A tendência é que a segunda semana de setembro seja marcada por quase ou nenhuma chuva, voltando às condições de tempo seco e quente em Minas Gerais. A chuva só será vista na próxima semana, na quinta-feira atingindo todo o Centro-Sul do Estado”, diz Josélia.

A estiagem tem reduzido a área dos pastos, problema que já vem ocorrendo nos últimos três anos. Para controlar o número de bovinos em relação aos espaços de pastagem, o estado decidiu abater as fêmeas, mas não adiantou. Minas Gerais teve toda sua cadeia bovina desvalorizada pela falta de qualidade, já que não havia uma alimentação equilibrada para os rebanhos. Diante disso, os pecuaristas sentiram a necessidade de realizar aproximadamente 17% de abates para a própria sobrevivência, o que resultou em uma alta dos preços para a venda.

De acordo com o analista de agronegócio Wallisson Lara Fonseca, os pecuários e os que lidam com a produção de leite devem olhar atentamente as necessidades de suas propriedades para gerir melhor. “Para se adquirir uma melhor gestão e com sustentabilidade é preciso trabalhar para manter uma qualidade na matéria-prima , vislumbrando atender o mercado externo, que cada vez se torna mais exigente. E que tem sido uma vitrine para ter como objetivo exportar o leite e não somente continuar no privado”, afirma Wallisson.

Sobre o Grupo Climatempo

O Grupo Climatempo é a maior empresa privada de meteorologia do país. Fornece, atualmente, conteúdo para mais de 50 retransmissoras nacionais de televisão, para rádios de todo o Brasil e para os principais portais. Com cerca de 1.100 clientes, a empresa atua principalmente em dois segmentos: o de agronegócios e o de meios de comunicação. Oferece também conteúdo meteorológico estratégico para empresas de moda e varejo, energia elétrica, construção civil, transporte e logística, além de bancos, seguradoras e indústrias farmacêutica e de alimentos. O Grupo é presidido pelo meteorologista Carlos Magno que, com mais de 27 anos de carreira, foi um dos primeiros comunicadores da profissão no país.